quarta-feira, 21 de julho de 2010

P O L Í T I C A Esclarecimentos e Orientações(1)

I - O QUE É POLÍTICA
A palavra política pode ser tomada, principalmente, em dois sentidos opostos:
a) Política, sinônimo de politicagem. É muito comum se falar em política como sendo a maneira de enganar o povo com promessas que nunca se cumprem , o “jeitinho” de fazer com que as leis favoreçam pessoas e não a comunidade, ou o aproveitamento do dinheiro público em benefício próprio. Assim, quanto mais a pessoa for ladina e corrupta, tanto mais se diz que ela é “política”.
Evidentemente, nesse sentido, nenhuma pessoa que se preze pode gostar de política.
b) Política como conjunto de ações que estão direta ou indiretamente ligadas ao bem comum, favorecendo ou prejudicando os interesses da comunidade.
Nesse sentido, a Política interessa a todos, pois - queiramos ou não - ela irá interferir na vida dos cidadãos. E como vivemos em comunidade, não podemos deixar de ser responsáveis por tudo aquilo que ajuda ou prejudica o bem comum.
II - POLÍTICA E CIDADANIA
Muita gente pensa que Política só se exerce dentro dos partidos ou no exercício do direito de votar. Assim, seríamos “políticos” em certas épocas e circunstâncias. Neste ano, por exemplo, participaríamos da Política e ficaríamos livres dela nos próximos anos.
Não é bem assim. Nós somos políticos em tudo aquilo que fazemos ou deixamos de fazer. Porque sempre - em tudo - estamos ajudando ou prejudicando a comunidade. Nesse sentido, Política é sinônimo de exercício da cidadania, ou seja, de nossa qualidade de cidadãos.
Toda vez que fazemos valer nossos direitos ou respeitamos os direitos dos demais, estamos fazendo Política. Assim, quando vamos à Prefeitura para reclamar um direito, quando participamos dos movimentos reivindicatórios de nosso sindicato ou de nossa comunidade, quando nos unimos para exigir mais e melhores escolas ou assistência médica, quando lutamos pela reforma agrária ou do solo urbano, estamos agindo politicamente.
Mas também, quando não respeitamos o direito alheio ou da comunidade, jogando o lixo pelas ruas ou nos córregos, quando não respeitamos a lei do silêncio noturno ou desobedecemos às leis do trânsito, colocando em risco outras vidas, estamos realizando ações políticas. Só que erradas.
Até não fazer nada para modificar a situação de nossa comunidade é uma atitude política. Significa que estamos contentes com as coisas como estão.
Todos que se interessam pela mudança de rumos na política brasileira de-veriam se convencer de que todas as demais providências, tanto no campo da legislação eleitoral, quanto na formação dos eleitores e dos candidatos, serão em vão, se não houver um grande empenho na educação para a cidadania. Só quem for educado para ser cidadão na vida de cada dia poderá contribuir para uma renovação na vida política.
E essa educação para a cidadania se faz no decorrer de toda vida e em to-das as instâncias educacionais: Família, Escola, Igreja e Sociedade.No esquecimento disso está a raiz do fracasso de tudo que se tem feito para melhorar a vida política em nosso país.
III - POLÍTICA E FÉ
Para muita gente fé e religião são coisas apenas de foro íntimo que nada tem a ver com a vida. Outros as reduzem a determinados atos - geralmente identificados com o culto - sem nenhuma relação com outras atividades.
Ora, a fé é uma dimensão da vida que deve estar presente em todas as manifestações de nossa existência. Por isso, já o Concílio Vaticano II afirmava que “o divórcio entre a fé professada e a vida cotidiana...deve ser enumerado entre os erros mais graves de nosso tempo.”(GS N.43). São os cristãos de culto e pagãos de vida. Puebla explicita isso dizendo que a Igreja “critica aqueles que tendem a reduzir o espaço da fé à vida pessoal ou familiar, excluindo a ordem profissional, econômica, social e política.(P. N.515).
Não é possível ter fé e agir nesses setores sem ter em vista uma visão de fé. “Os fiéis devem estar lembrados que, em qualquer situação temporal devem conduzir-se pela consciência cristã, uma vez que nenhuma atividade humana, nem mesmo nas coisas temporais, pode ser subtraída ao domínio de Deus.”(LG 36)
Do desconhecimento disso provém que “o mundo do trabalho, da política, da economia, da ciência, da arte, da literatura e dos meios de comunicação social não são guiados por critérios evangélicos. Assim se explica a incoerência entre a fé que dizem professar e o compromisso da vida real”(S.Dom.N.97)
Essa incoerência afeta não apenas os políticos profissionais e candidatos a cargos públicos que agem como se fé não lhes dissesse respeito, mas também os simples eleitores que na escolha de partidos e candidatos se guiam freqüentemente por critérios de interesse puramente pessoal, sem nenhuma visão de fé.
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Pe. Nelito

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